outubro 11, 2011

Para relembrar, "O pão nosso"

Do blog do amigo Valmir Guedes.

O pão nosso...
Ontem, numa padaria de um supermercado, encontrei um tipo de pão que não pude deixar de comprá-lo. O chamado pão-de-rala (alguém lembra?), que leva erva-doce em sua massa.
Comprei uma meia-dúzia.
Já em casa, enquanto o saboreava com café, observando as fortes chuvas que estão alagando diversas cidades, imagens vinham à mente e acabei no devaneio de lembranças de um passado que se encontra na memória de quem o viveu.
E aí me lembrei de saudosas madrugadas, jovens, quando voltávamos, sempre a pé, dos bailes no Anita, 3 de Maio, Blondin e Congresso.

“A gente era feliz e não sabia, pensava só em festa todo dia, Beatles, Rolling Stones, faziam todo mundo dançar...”
“(...) Gumex no cabelo, perfume Lancaster, jaqueta e a camisa baloon”...

Sempre em turma, mortos de fome, nos dirigíamos para a rua XV de novembro, bem defronte à Miscelânea, onde numa porta que se abria para àquela rua, ficava os fundos da Padaria Imperatriz, situada na Raulino Horn.
Ali quentinho, saindo do forno e da forma, comprávamos diretamente dos padeiros da madrugada o nosso chamado pão de trigo (como se todos os outros não fossem de trigo...) ou pão d’água como muitos também o chamam. Para tanto recolhíamos apressadamente as moedas da turma. Tempos de dureza.
Dali o destino era inevitável: Praça da Bandeira (hoje República Juliana), ou Jardim Calheiros da Graça. E lá ficávamos, nos bancos, conversas e piadas, quase sempre até ao amanhecer, quando cada um de nós ia embora para sua casa dormir até ao meio-dia, que a noite tinha mais.
No carnaval também era esse o ritual, até porque a folia começava na noite/madrugada de sexta-feira e ia até o amanhecer de quarta. Sempre em clubes, já que o chamado carnaval de rua não existia, somente o desfile das escolas de samba no centro histórico. E no Mar Grosso, à noite, só íamos para outras coisas e mesmo assim quando alguém da turma tomava emprestado o carro do pai.

Mas falava de pão e também me lembrei do “pão-de-minuto” que já não encontro mais.
Havia também o “pão-de-farofa”, mas dando jus ao nome, era coberto lindamente, gordamente por farofa, grossa camada trans, não essa raquítica cobertura que a gente encontra por aí, nesses tempos de alimentação politicamente correta.
E aí, para mim, final da década de 60 e começo de 70, no tipo pão-de-farofa era imbatível a pequena Padaria Universal, estabelecimento que ficava numa das salas onde hoje está situada a Loja Kilojão, na Gustavo Richard. Não lembro quem era o proprietário.
Havia também uma padaria na Praça República Juliana, da família Carvalho da Rosa, que depois foi consumida por um incêndio, alguém lembra?

Enfim, pequenas reminiscências, lembranças de outra época.
Depois dos quarenta anos, quase cinqüenta, e penso que é assim mesmo, um simples objeto, uma letra de música, um cheiro, um sabor, um rosto, uma voz... tem o dom de nos transportar rapidamente em direção a anos que não voltam.
Não voltam nunca mais.

beba na fonte: http://valmirguedes.blog.uol.com.br/arch2008-01-01_2008-01-31.html

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