março 15, 2014

Para alegrar o fim de semana

Copio no famoso "ctrl c ctrl v" o brilhante texto do amigo Valmir Guedes que em setembro de 2006 publicou seu blog esta grande viagem no tempo. Acomode-se porque o material é grande e delicioso. 

Troféu Mocorongo
Dia desses recebi de um amigo um texto que andou circulando muito por Florianópolis ano passado. O escrito enumerava uma série de requisitos e dizia que para ser um autêntico mané da Ilha de Santa Catarina o candidato teria que preencher pelo menos 80% do solicitado.
Pensei bem e resolvi fazer uma variante daquele texto, enumerando também uma série de pré-requisitos para ser um autêntico lagunense.
O odontólogo, pescador, pintor e escritor Márcio José Rodrigues um dia em conversa, me disse que deveríamos criar em nossa cidade um troféu que poderia chamar-se, dizia ele jocosamente, Troféu Mocorongo e que serviria para homenagear lagunenses e lagunistas que verdadeiramente amam essa terra, e que não necessariamente precisariam ter nascido aqui.
Só teriam que conhecer um pouco da nossa realidade atual, de história, passagens e personagens da nossa terra. Acho que 80% de conhecimento e vivência são muito, como em Floripa. Penso que 50%, no caso de Laguna, já seriam suficientes.
Vou dividir em capítulos, em partes, no blog, sem seguir uma ordem cronológica, porque o texto é meio longo, mas penso que interessante.
Então, para receber o Troféu Mocorongo, o sujeito precisaria:

1) Ter nascido na Maternidade do nosso Hospital Bom Jesus dos Passos. Serve parto em casa pelas mãos, lógico, de uma parteira. Se for a Maria Macarini, melhor ainda;
2) Falar tão rápido, deixando o coitado que te ouve meiotanso;
3) Gostar do cheiro das bancas de peixe do Mercado Público e das casinhas fora dele. Nada de tapar o nariz pra comprar camarão;
4) Pescado siri nas areias do Mar Grosso, com um pedaço de pau;
5) Ter ajudado a fazer ou ter dançado no boi de mamão;
6) Ter se vestido de mascarado e corrido atrás das moças no pré-carnaval;
7) Ter tomado banho nas águas da Lagoa Santo Antônio (cais da cidade) sem medo de pegar pereba;
8) Ter saboreado picolé de butiá ou sorvete de uva na Miscelânea;
9) Ter comprado nas vendas, armazéns do seu Edú Barreiros, Lídio Correia, Antônio Amândio ou Kotzias: bala azedinha, pé de moleque, cocada, bala-americana, puxa-puxa, quebra-queixo, maria-mole, pirulito de galinho ou do zorro;
10) Biju de mandioca assado em braseiro;
11) Comprado o xarope p/tosse Phimatosan, ou pílulas de vida do dr. Ross, nas farmácias do seu Waltinho, do Cid Cecconi Costa, do Ablair Pereira, Medeiros e do Aurélio Roberge;
12) Ter curtido um baile de carnaval no 3 de Maio, no Congresso, no Blondin , no Anita, no Ideal, no Atlântico ou União Operária. No Clube 3 de Maio pular as cinco noites; e no Congresso dar a volta no Jardim com a orquestra, no fim do baile;
13) Ter visto ou desfilado nos blocos “Pingos” e “Respingados”, “Pavão Branco” e “Bambo”. (Essa é muito antiga, das difíceis e pouca gente vai assinalar);
14) Ter colecionado álbum de figurinhas, Perdidos no Espaço, Jogadores de Futebol, Mundo Animal;
15) Juntado caquinhos após a procissão do Corpus Chisti;
16) Brincado de mandrake, bilboquê,(que chamamos biloquê), bolinha de gude e  pião;
17) Caçado passarinho nos nossos morros e armado muita arapuca;
             18) Colecionado as embalagens de maços de cigarros; 

19) Torcido pelos blocos “Toureiros”, do Blondin; e “Damas Antigas”, pelo Congresso. (Outro item também “das antigas”);
20) Ter assistido desfile de blocos e de carros alegóricos e mutação na rua Conselheiro Jerônimo Coelho, ao redor daPraça Vidal Ramos (Jardim Calheiros da Graça);
21) Freqüentado o Café Tupi, Night-and-Day, depois Monte Carlo, Bar Brigitte e Bascherotto, tomado cafezinho e discutido sobre política, futebol e mulher (não obrigatoriamente nessa ordem);
22) Dirigido ou apreciado os carros de uma época: Olds Móbile, Pontiac, Studbaker, Buik;
23) Corrido dos fogos de artifício (principalmente as temidas “flechas”) na procissão de Santo Antônio dos Anjos;
24) Ter assistido filmes nos cines Poeira, Arajé, Palace, Central, Roma e Mussi. Neste último entrar sem pagar e enganar a idade para o porteiro Gilson (Máquina 7). Se esconder da luz da lanterna do Waldemar (bagrinho);
25) Testemunhado os incêndios do antigo Mercado Público e Theatro Sete de Setembro;
26) Corrido para praia do Gy para ver o navio Malteza encalhado;
27) Ter visto carnaval com o Rei Momo, primeiro e único, Tonico Fortes, com sua coroa de lampadinhas pisca-pisca;
28) Ter torcido ou desfilado pelo Bola Branca, Bola Preta, Bola Azul, Bola de Ouro, Bloco dos Inocentes, Bloco da  Vitória, Bloco dos Brotinhos (por onde andam?), ou Escola de Samba Bem Amados;
29) Saído vestido de mulher no Bloco da Pracinha.(Esse ainda dá tempo);
30) Adorar vento nordeste;
31) Ter torcido pelo Barriga Verde ou Lamego em seus estádios. Vibrado pelo LEC no campeonato catarinense de 2ª divisão.
32) Acompanhado os jogos do campeonato amador no campinho do Magalhães, aos domingos. Chupado muita laranja e bebido água na caneca de alumínio no poço da casa da dona Adalgisa;
33) Assistido os campeonatos de remo na Lagoa Santo Antônio, dos atletas dos Clubes Náuticos Paulo Carneiro e Lamego;
34) Atendido pelos médicos Drs. Paulo Carneiro, Aurélio Rótulo, Ângelo Novi, Miranda, João Romão;

35) Conhecido (pelo menos uns seis deles): Abelardo Calil Bulos, José, Manoel e Agenor Bessa, José Paulo Arantes, Pe. Gregório Wermeling, Pe. Claudino Biz, Arquimedes Faria, Mário e Luiz Remor, Osmar Cook, Manoel Américo de Barros, Joca Baião, Pompílio Pereira Bento, Júlio Barreto, Carlos Horn, Júlio Teixeira, Walter Brandl da Rosa, Renato e Nail Ulysséa, José Duarte Freitas, Osmar Lopes, Carlos Bessa, Édilo Kfouri, Francisco Pinho, Álvaro Silveira, Francisco Barreiros Pestana, Almiro Bacha, Almir Silveira(Miro), Álvaro Sebolt, Ely Caetano, Jorge da Santinha, Paulo Calil, Willy Stracke, Joana Daux Mussi, Antônio Baião, Acary Fiuza Lima, Olympio Pacheco Reis, João Nunes Netto, Júlio Barreto, Júlio Marcondes, Léa Zanella Nunes, Nilton Ulysséa Ungaretti, Juarez Guedes Rosa, Francisco Carlos Cabral Nunes, Prezalino Lopes, Alceu Medeiros, Luiz Carlos Cabral Nunes, Alfino Medeiros, Nildo Ulysséa, Jairo Viana; e outros tantos que já estão citados nos demais itens; e muito mais que, infelizmente, acabamos involuntariamente omitindo, mas que continuam em nossas páginas da memória e na memória de muitos cada vez que a folheamos;
36) Observado pescadores, noite e madrugada, com coca e pomboca, pescando camarões ao longo do cais;
37) Ter conhecido os chamados tipos populares da cidade, como o Benoni da Maria e a Maria do Benoni, o Gambá, a Vitória, o Clemente, o Ibraim, o Jiki, o canoeiro Felipe da Rebeca, Toninho Viana, Andrino, Clóvis, Edite pandorga, Lata, Quintino, Arina, Bibi-tudo, Biguá;
38) Estudado no Colégio Lagunense e ser aluno dos professores Romeu Ulysséa, Ruben Ulysséa, Capitão Doner, Cabral, Varela, Leitão, Mister Paulo, Jairo Baião, Elisabeth Ulysséa Arantes, Wanda Labanowski, Maria Alaíde Schneider, Maria Serafina;
39) Estudado no CEAL e ser aluno dos professores Jairo e Amélia Baião, Elysabeth Mussi, Natércia Faria, Elza Nascimento, Maria de Lourdes Barros, Maria da Penha Silveira Pinho, Ronaldo Carneiro, Sérgio e Maria Isabel Nacif, Adib Abrahão Massih, Emílio Padilha, Márcio José Rodrigues, José Paulo Arantes, Rosangêla Cunha, Zair Corrêa de Carvalho;
40) Tomado injeção aplicada pelo “seu” Benevenuto;
41) Assistido e dançado aos acordes musicais do Cassino de Sevilha, no Clube Blondin;
42) Freqüentado o Clube dos Cem (ou pelo menos saber onde se situava);
43) Dançado ao som do Conjunto The Claytons, de Imbituba;
44) Ter chorado a derrubada do casarão do João Thomaz, para construção do caixote do Banco do Brasil;
45) Bebido muito leite da Madre, trazido em galões de latão, em canoas;
46) Caminhado pelas inúmeras trilhas dos nossos morros e apanhado na mata muitas frutas silvestres, como “pés-de-galinha”, “chup-chup”, “tucum” e “bacu-pari”;
47) Tomado a “bira mais ouriçada do pedaço”, na Toca da Bruxa, do Walmor Crippa;
48) Ter jogado sinuca ou peruado nos salões do Artur Antunes (cujo gerente era o Nonô), e do Macuco ou Barrica;
49) Acompanhado as procissões de Santo Antônio e Senhor dos  Passos. E com uma vela acesa, promessa da mãe ou da madrinha;

50) Ter ganhado uma galinha no “aviãozinho” de Santo Antônio e receber o prêmio das mãos do “seu Batista Abrahão”;
51) Comprado no Sápis, Cobal, Amboni e Amândio;
52) Ter comprado conga, kchute e sandália na Spek Calçados com a d. Miloca;
53) Ter tomado o trem na estação no centro da cidade;
54) Lido o jornal O Albor, Sul do Estado, Correio do Sul, Camboim, Palanque, Semanário de Notícias ou o Renovador;
55) Bebido gasosa do Grüner, laranjinha da Max Wilhelm e chocomilk;
56) Jogado bola com a turma nas praças, do Rosário (hoje Jerônimo Coelho) e da Anita;
57) Ter medo da sirene do jipe do “Sargento 70”;
58) Ser passageiro dos táxis (carros de praça) dirigidos pelos choferes, Oscalino e Paladini. Este último está bem vivo entre nós, dirigindo seu Del Rey, e dançando na Divina Idade;
59) Ser alfabetizado (desemburrado) na Escolinha da D. Mimi;
60) Estudado no Grupo Escolar Jerônimo Coelho, com as diretoras, Nêmesis de Oliveira, e mais tarde Hilda Soares Bicca, e saber cantar (beeeeem alto) o hino da escola:
“Lutador incomparável
filho do nosso torrão
eu te oferto neste canto
a sincera saudação

A ti Jerônimo Coelho

eu dedico com fervor
este canto entusiasta
que transpira o nosso amor.
A Laguna não se esquece,
Desse nome consagrado

E cantando ela revive

Os seus feitos consumados (bis)"
61) Conhecido ou ouvido falar nos cigarros Sarita, Siri, Bocanegra, Alaska e Nevada, de fabricação made in Laguna, da firma Euzébio Nunes & Cia;
62) Ter almoçado uma suculenta dobradinha ou um churrasco, no restaurante Peralta, ali na paixão, do Jairo Duarte;
63) Ter almoçado a maionese de camarão no restaurante Nice, do Rodolfo Michels;
64) Ser ouvinte do programa Grande Jornal Falado Garibaldi, com João Manoel Vicente, ouvindo as suas (e nossas) verdades, com o repórter Jorge Miranda;
65) Visto ou viajado pelo navio Max, para o Rio de Janeiro ou Florianópolis (outra das antigas);

66) Ter participado da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, e ter se deslumbrado com as dezenas de navios embandeirados, entre eles o “Laguna” e o “Santo Antônio”, ancorados no cais do centro;
67) Comprado revista, jornal ou gibi, na banca do Chico defronte ao Cine Mussi;
68) Trocado gibi antes ou depois das sessões em frente ao mesmo Mussi. Dois Pato Donald ou Zé Carioca por um Tio Patinhas. Super-Homem, O Demolidor, Homem-Aranha e TEX;
69) Comprado material escolar na livraria Santa Catarina, “do Juka”;
70) Assistido a TV Piratini, Gaúcha ou Coligadas (só bem depois veio a Cultura), com chuviscos insistentes e antena bem alta para regular. (Deu? Não deu? Agora deu?);
71) Vestido calça de brim “coringa” ou “far-west”, camisa volta-ao-mundo e sapato cavalo-de-aço;
72) Conhecido o Paraíso Hotel ou ter sido seu hóspede;
73) Colocado prego nos trilhos para fazer “martelinho”;
74) Vibrado com os acordes da guitarra de “Bill Halley e seus Comets”, “Rock around The Clock”; e suspirado com The Platters cantando “Only you”;
75) Assistido artistas e programas de auditório no palco da Rádio Difusora;
76) Dançado ao som do Conjunto Melódico Ravena ou Jazz Catarinense ou Lagunense;
77) Almoçado aos domingos galinha ensopada, macarrão e maionese, ao som de Manoel Silva, sua voz e seu   Violão, pela Garibaldi ou Difusora;
78) Almoçado posta de tainha frita na banha, com pirão de nylon, pirão d’água escaldado, feito com farinha do Ribeirão ou de Aratinguaiuba;
79) Saboreado os nossos cafés Ned ou Salete;
80) Saboreado os pães da Imperatriz, padaria “do Faísca”, ou do “Carvalho”;
81) Tomar óleo de rícino (aaarrggghhhhh), receitado pelo dr. Miranda;
82) Viajado para São Paulo, ou ficado por aqui torcendo pela TV pelos nossos representantes na gincana do Sílvio Santos, Cidade X Cidade;
83) Assistido no Ginásio Bertholdo Werner os times de futebol de salão Romer, Anita, CCL, Candemil, ou o Benfica, de Imbituba, disputando célebres partidas;
84) Participado aos sábados dos torneios infanto-juvenis promovidos pelo bancário Munir Soares de Souza, neste mesmo ginásio;
85) Vibrado com os jogos na quadra de futebol de salão do Clube Blondin;


86) Viajado para Florianópolis ou Porto Alegre, em ônibus das empresas São Cristóvão ou Santo Anjo, partindo da rodoviária na rua Gustavo Richard. Para os mais antigos, viajar pela empresa Auto Viação Glória;

87) Encomendado um terno de casimira ou brim de linho na alfaiataria Minerva;

88) Comprado fazendas, ou um chapéu “cury” na Casa São Pedro;
89) Comprado um bombom ou um biscoito na sorveteria Márcio, de Ildefonso Baptista da Silva;
90) Assistido missa celebrada pelo sacerdote lagunense Walmor Castro;
91) Ter visto pouso de avião na pista do aeroporto municipal, no Mar Grosso;
92) Ter votado nos ex-prefeitos Giocondo Tasso, Alberto Crippa, Walmor de Oliveira, Juacy Ungaretti, Saul Baião, Assis Soares e Mário José Remor (pelo menos em um deles);
93) Paquerado (footing) no jardim Calheiros da Graça;
94) Ser ouvinte do programa “Picadeiro Político”, com Nelson Almeida, na rádio Difusora. Ou a “Hora do Despertador”, com Dakir Polidoro;
95) Ser empregado da Cobrazil (ou possuir amigo ou familiar que tenha trabalhado naquela empresa que construiu os molhes da Barra;
96) Comprado um vidro de perfume na Casa Esmeralda, de Rubi Peressoni Teixeira, e ser atendido pelo seu Eloy Rodrigues dos Santos; 
97) Ter apreendido a dirigir carro com o seu João Martins (João Salame);
98) Possuir alguma obra (ou ter presenciado seu trabalho) do artista João Rodrigues (Português);
99) Ter-se utilizado (ou conhecido) a ambulância da Samdu. Lembrar-se do som da sirene. (meio triste essa, mas vai lá);
100) Ter o rádio, vitrola, eletrola ou televisão, de marcas Pilotto, Telefunken, Admiral, Empire, Semp, Colorado..., de sua casa, consertada pelo seu Guedes;

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